Nota de pesar – Wellington Pereira

É com imenso pesar que a Rede Nacional de Observatório de Imprensa (Renoi) registra o falecimento na última sexta-feira, 19, de um de seus fundadores, o professor WELLINGTON PEREIRA (Wellington José de Oliveira Pereira), no Hospital Nossa Senhora das Neves, em João Pessoa, onde estava internado com Covid-19. Ainda no dia 16, ele escreveu numa rede social estar ciente do diagnóstico, mas com sintomas muito leves. O agravamento terá ocorrido por ser ele portador de uma neuropatia aguda, decorrente de diabetes crônico. Dois dias antes, perdera, também por Covid, o irmão Wallace Pereira, que era líder sindical. Wellington nasceu em Sumé (PB) em 26 de abril de 1961.

A evolução veloz do “quadro” surpreendeu as com unidades acadêmicas da Paraíba e do Brasil as impactou, pois Wellington era um veterano pesquisador, atuante nos segmentos de ensino, pesquisa, extensão e orientador de gerações de alunos em níveis de graduação e pós-graduação. Autor de numerosos livros temáticos, coordenava o Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj), fundado por ele em 2002, por onde passaram numerosos bolsistas de Iniciação Científica e Extensão.

Muito culto e erudito, Wellington Pereira era um dos principais nomes brasileiros nos estudos da interdisciplinaridade entre Comunicação e Fenomenologia. Jornalista atuante, graduou-se pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); fez mestrado em Letras (UFPB); e doutorado em Sociologia, pela Université Paris-Descartes (1999). Na UFPB era professor titular. Casado, deixa esposa e filha e também uma obra literária. Durante vários anos, publicou poemas na coluna “Poética Digital”. Madrugador, abria as suas postagens com um efusivo “Bom dia a todos, afeto, paz e saúde”.

Na mesma rede social onde era frequente, Wellington postou, no dia 16 último, estar seguro de que iria ultrapassar o mais recente de seus desafios em saúde. E até se desculpou por ter de passar alguns dias ausente da sua escrita diária. Como era extremamente cioso e cuidadoso do risco que corria, mantinha-se em regime de isolamento, justamente saindo apenas para cuidar de si. Foi por uma casualidade do cotidiano que se descobriu “positivo” para o novo coronavírus. Tinha saído para comprar uma sandália para pés de diabético e fazer um exame oftalmológico. Mas, como sentia fortes dores de cabeça e no corpo, procurou fazer o teste em outro local.

Os meios jornalístico e acadêmico perdem uma grande figura humana, sempre de sorriso e braços abertos. Muito afetuoso, Wellington Pereira era, contudo, um temido desafeto de determinados setores políticos, dada a sua constante atividade crítica, não somente para com os sucessivos descalabros de autoridades e políticos, mas também com os cenários que vêm caracterizando a vida brasileira, entre eles, o que assumidamente denominava de “necropolítica”.

Também cobrava, de forma severa, uma elucidação do crime em que perderam a vida a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Cheio de vida, como se diz no cotidiano, Wellington Pereira estava sempre cheio de planos, pois era muito altivo e produtivo, haja vista o final de sua mensagem, plena de otimismo: “Por isso amigos, vou ficar um tempinho fora do mundo virtual. Espero voltar com saúde. (wp)”. Ficará para sempre luminoso e inspira dor nas memórias dos seus familiares, alunos e colegas da UFPB e da Renoi.

Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi)